18 maio 2012

A crise de uns e de outros

Tenho esta ideia de que as consequências da crise são mais difíceis de encarar por aqueles que tinham uma vida folgada do que por aqueles que não tinham muito e agora vivem ao cêntimo. Há certos luxos que são viciantes, é difícil abdicar de muita coisa mas ainda mais se sempre os tivemos.

Mesmo tendo isto em mente, tenho que me rir quando alguém se queixa permanentemente de que não tem dinheiro, que a vida não está fácil porque agora é só um ordenado lá em casa em vez de dois, sendo essa pessoa empregadora de uma empregada doméstica e proprietária de dois carros.
Todos nos queixamos e eu até advogo que é o melhor que temos a fazer (porque alivia) mas tem que haver um pouco de sentido de ridículo. Há o necessário (p.e. comer) e o dispensável que se escolhe ter (p.e. comer fora). Distinguir parece não ser assim tão fácil para quem se habituou a poder.
Apenas acho piada.

2 comentários:

GATA disse...

Eu conheço pessoas assim... E gente que comprar roupa na feira e depois diz que é de marca! :-)

E, fazendo a 'ponte' com outro tema, lembro-me de um ex amigo que estava sempre a mandar 'bocas' a dizer que eu, como era rica, viajava muito.

Acontece que ele não viajava porque não queria, porque não abdicava de sair com os amigos todos as sextas e sábados, o que incluía jantaradas e copos, sem contar com os cigarrinhos... Ora, fazendo as contas ele gastava por mês o que eu poupava por mês para poder viajar.

"And I rest my case!" :-)

Mnemósine disse...

Resumindo isto sempre aconteceu, agora chamamos-lhe crise.