18 outubro 2011

continuando

Interessantes as vossas respostas ao post de ontem.

Já agora explico: a pergunta surgiu-me depois de ver uma interessante discussão político-social no FB em que se falava de portugueses que ganhando bem (face à média) não se aguentam com os cortes. E eu pensei, com as despesas e os baixos ordenados, se o pessoal começa a pagar para trabalhar, vai continuar a ir ou corta o mal pela raiz?

Concluo que a maioria continuaria a ir, hoping for the best.

Eu sou daquelas pessoas que acham que, quando se está desempregado e a receber subsídio, mais vale aceitar um emprego onde se ganha menos do que continuar a receber subsídio (sendo o dito emprego uma coisa com pés e cabeça, ainda que muito mal pago).
Acho isto porque trabalhar é melhor que não fazer nada, porque nos valorizamos profissionalmente, porque aprendemos coisas e convivemos com pessoas. Crescemos mesmo que seja só um bocadinho.

Mas não sei bem qual é o limite, a partir de quando é que deixa de ser agarrar oportunidade para passar a ser uma parvoíce, um desperdício de tudo.

5 comentários:

Fuschia disse...

Eu sempre achei que me divertiria a trabalhar em qualquer lado, desde que temporariamente, enquanto fosse novidade. Quando fiquei desempregada mandei cv's para todo lado, desde lojas ao Modelo, poucos responderam e alguns perguntaram o que estava ali a fazer, já que aquela não era a minha área.

Depois o tempo ia passando, trabalho não aparecia e de repente a ideia de andar a brincar aos empregos deixou de ter piada. Pensava "e se aceitar um emprego no Modelo agora e me chamarem para uma entrevista na minha área, como é que eu vou?"

E de repente fiquei com a sensação de que o que aceitasse daí para a frente seria cada vez mais definitivo, cada vez é mais difícil voltar ao que fazia.E eu nem estava com subsidio de desemprego.

Mas vejo pessoas a queixarem-se na tv que não arranjam ninguém para trabalhar, não dizendo que oferecem condições do tipo 500€ a recibos por 10 horas por dia com sábados incluídos. Eu entendo que ninguém aceite emprego nestas condições.

Inês disse...

Sou idílica, ainda acredito que o gostar-se do trabalho, nem que seja da sua componente humana, compensa tudo. Talvez o limite chegue quando esse prazer deixa de existir. Mas talvez só nos apercebamos desse limite quando o ultrapassamos e quando pagar as contas já se tornou uma necessidade.

Aflito disse...

Eu diria que ganhar dinheiro é melhor que não ganhar. :|

Lilith disse...

A menos que o trabalho me desse mesmo muito prazer e me apaixonasse, antes preferia ficar em casa a receber subsídio do que ir trabalhar para receber menos dinheiro do que se tivesse ficado quieta.

GATA disse...

Bem, eu passei por uma situação semelhante à da Fuschia:

No inicio do milénio (e de uma década...) fiquei doente e desempregada, fartei-me de enviar CV's, até para repositora no Continente, e nada!

Eu estava a receber subsídio mas dava explicações... para me sentir ocupada e válida!

Eu via o tempo a passar e a minha vida a andar para trás: e se acaba o subsídio e eu continuo sem emprego???

Actualmente estou empregada, claro que sou mal paga tendo em conta as funções e as habiltações, mas entre isto e o desemprego, escolho isto, sem sombra de dúvida!