15 novembro 2010

Sem preceito

Ainda me lembro de ir tirar fotografias tipo passe e aquilo ser coisa para demorar um bom bocado. Havia um cenário, projectores e reflectores, um banco e um senhor com ar de entendido que nos mandava endireitar as costas, pôr o cabelo atrás da orelha, olhar para a direita e levantar o queixo. Alguns insistiam no sorriso, outros deixavam ficar a tromba.
Tinha-se uma hipótese, nos sítios bons ainda davam mais uma. E pronto, era esperar. Uma canseira, um processo, uma técnica apurada e um espaço que se escolhia como quem escolhe onde vai jantar.

Agora nada disso.
Sentamo-nos num banco, de costas para uma porta branca cheia de dedadas e riscos e toma lá um flash nos olhos. Ora vê lá se 'tá bem. Não 'tá. Toma lá mais um flash e uma cara feia a ver se te pões a andar que aqui trabalha-se. 'Tá bom? 'Tá. Passa o dinheiro e espera um minuto que isto já sai. Toma lá e adeus.

Demasiado utilitarista, não?

2 comentários:

GATA disse...

No meu caso, um colega faz o mesmo e grátis. E não é pelo dinheiro, é porque ele tem jeito e eu fico bem, coisa que nesses 'sítios' não acontece! :-)

L'Enfant Terrible disse...

Outros tempos!