22 setembro 2010

Idosos

Ontem a Sic apresentou várias reportagens sobre o abandono de idosos (em casa própria, lar ou mesmo hospitais) e sobre a solidão daqueles que não têm família. Sugeria-se, nos entretantos, consequências sociais e mesmo criminais para aqueles que não tratam os seus idosos nos termos que se considerem adequados. 
Isto fez-me pensar em duas coisas (vou tentar resumir):

1. A simplificação de todos os processos e a informação, em oposição à habitual desinformação, por parte da SS seria um bom começo de conversa para que as pessoas deixassem de se sentir completamente escravas das doenças dos seus familiares. Em vez disso obriga-se toda e qualquer pessoa a adivinhar se tem ou não direito a apoios de alguma natureza ou a perder horas em filas e a sacar as informações que precisa do pessoal bem-disposto dos serviços  (quem não se identificar com o padrão não há-de se ofender). 

2. Por muito ultrajante que me pareça que alguém não queira saber do seu pai, mãe, avô ou avó, não posso deixar de questionar a obrigatoriedade. Por que razão irá alguém querer ter ao seu cuidado uma pessoa com quem nunca estabeleceu uma ligação? Só porque há um "laço" de sangue? Não me parece. Mais facilmente se despende tempo para dar atenção a alguém que sem ter qualquer obrigação nos acompanhou a infância do que a alguém que apesar de (moral e legalmente) obrigado a isso nunca nos foi nada.

2 comentários:

Fuschia disse...

A velhice é um problema, porque quem é que pode deixar de trabalhar para estar com os pais? Nem indo tão longe, muitas pessoas nem têm espaço em casa para acolher mais uma pessoa. Um lar custa um ordenado, quem o pode pagar? Eu entendo que os lares sejam caros porque têm as suas despesas, e entendo que o Estado não tenha dinheiro para acudir a tudo, por isso mesmo digo que é um problema grande da sociedade moderna. Mas indepentemente das pessoas que borrifam nos pais, quantas os conseguem realmente ajudar?

Patrícia disse...

Olá
Este é um problema realmente muito complicado, onde a prática e a teoria são coisas muito diferentes.
Mas não consigo deixar de achar que, na prática, muita gente está aos caídos no hospital ou nos lares porque os familiares se estão mesmo a borrifar. E acho isso desumano.
E acho que para quem quer há sempre solução. Compreendo que não é fácil, por vezes, ter os pais (acamados ou não) lá em casa, mas a verdade é que em alguns lares (como os da misericórdia) se paga consoante a reforma (mesmo que esta seja miserável). Claro que para mim é fácil dizer isto: sou de uma aldeia onde este tipo de problema é muito menor (e mais facilmente resolvido) que o de qualquer cidade.
A questão de ter ligação emocional aos pais é outra coisa. Aqui acho que depende muito do que aconteceu, quando e porquê. Conheço, por exemplo, uma situação onde a filha nunca vai olhar nem querer saber da situação da mãe e, na minha opinião, com toda a legitimidade. Mas também conheço situações onde os filhos têm pais em condições horríveis porque lhes dá jeito a reforma deles ao final do mês.
enfim, acho que cada caso é um caso.