09 junho 2010

A vossa mercearia (longo mas fácil de ler, prometo)

Imaginem que têm uma mercearia. 
Essa mercearia tem muitos clientes, alguns regulares, que conhecem pelo nome, outros nem tanto. Há ainda aqueles que são tão discretos que nem se dá pela sua passagem por ali. 
Imaginem que um dia dão com um miúdo a roubar uma maçã. Mete-a na mochila e vai-se embora.
Imaginem que noutro dia aparece uma senhora que, distraída, sai sem pagar o pão.
O que fazem? Se calhar, nada.
Imaginem ainda que num terceiro dia, ao sair da mercearia, um troll qualquer vos leva a mala ou a carteira (conforme o género) e um fio que trazem ao pescoço, herança da avó querida. Dentro da mala ou carteira vai toda a vossa vida: os documentos, fotografias, a agenda, dinheiro, etc.
Como se sentem? Nus, angustiados, afrontados, privados de parte daquilo que vos identifica como são hoje? Provavelmente.
Imaginem agora que não têm uma mercearia, mas têm um blog (não será difícil).
Imaginem que a maçã é uma fotografia que tiraram e postaram e que foi parar a outro blog sem referência ao autor. 
Imaginem que o pão é uma frase ou texto que até vos saiu bem e que alguém decidiu copiar mas, distraído, não vos linkou, dizendo apenas que não é da sua autoria. 
Acontece, mesmo que vejam até são capazes de não dizer nada por perceberem que não foi mal intencionado.
E se o fio ao pescoço for um pedaço da vossa vida e das vossas emoções, os documentos forem ideias vossas, as fotografias forem excertos das vossas histórias, a agenda for opiniões que partilharam e o dinheiro for ideias que defenderam?
Pior do que passar 10h na Loja do Cidadão, outras tantas a tentar recuperar fotografias, falhar compromissos porque a memória já não é o que era, gastar rios de dinheiro a recuperar tudo e passar o resto da vida (ou uns tempitos) a maldizer o sacana do ladrão que vos levou o fio que era da avó? Aqui as opiniões devem divergir (suponho)...
Mas há quem ache que assaltar à porta da mercearia e roubar ideias, textos completos e excertos de um blog são duas actividades em nada comparáveis. Porque a segunda é na boa. 
Pois não é. Chama-se a este rol que debitamos Propriedade Intelectual e a exploração a bel-prazer desta propriedade é...faltam-me os adjectivos. É um nojo. Ou, para citar uma plagiadora, é "nojento" (está a ver Titinha, é assim que se faz).  É apropriação da vida e do intelecto de outra pessoa. É ridículo. É intencional e isso faz com que seja também crime. 

Se não fazem a menor ideia do que é que eu estou a falar, não faz mal. A Luna guia-vos, comecem por este
Luna, acaso venhas aqui parar (doubt it), nada mais posso dizer a não ser que estou abismada com a situação.   

7 comentários:

Kikas disse...

Muitos assaltos andam por ai... com a crise de ideias possivelmente só tende a piorar...
Vou então ler o que está no link para ver se entendo como é que foi o assalto...

Helena Barreta disse...

Passo por aqui e pelo Crónicas das Horas Perdidas todos os dias e sei do plágio, estou furiosa, perplexa e sem perceber como é que alguém faz das palavras dos outros suas. E ainda se acha de vítima. Tristeza.

Gosto do seu blogue

Allie disse...

Tenho seguido essa situação atentamente, inclusive aderi ao grupo que ela criou no Facebook. Não me sinto furiosa com a situação, talvez por não ser eu a lesada, mas sinto uma imensa pena daquela pessoa, por ser tão patética e ridícula, por manter um papel de vítima quando já foi claramente denunciada. Acredito que os amigos que ela tem no Facebook não são amigos reais, apenas mais um nome para fazer um número, porque se fossem pessoas que a conhecem ela iria sentir vergonha do que fez.

Quando temos um blogue e as pessoas da nossa vida real têm conhecimento dele, não nos fazemos passar por alguém que não é, sob pena de nos darem na cabeça com muita força. Não contamos mentiras, não inventamos acontecimentos. Aquela pessoa é digna de pena, ela não tem amigos nem uma vida feliz claramente. Ah... E a falta de inteligência? Notória. Senão nunca copiaria na íntegra excertos escritos de uma forma (já agora, correcta e sem erros, e muito menos sem expressões do Brasil) e depois faria comentários seus com outro tipo de linguagem. Até um cego vê isso.

Madame Butterfly disse...

Valeu a pena ler o long post, sem dúvida alguma. Minha alma está parva...como não poderia deixar de ser.

Fuschia disse...

Fiquei surpreendida, mas continuo a achar que a Titinha não as ocnta todas.

SofiaCosta disse...

visitei hoje, pela primeira vez o "ai que nervos!" e costumo dar uma olhadela aos textos em geral dos blogs que pertendo seguir e foi impossivel nao comentar este. Irrita-me solenemente o facto o que é nosso, parte de nós sem sequer se darem ao trabalho de o mencionar.. mas enfim, é revoltante, mas é para o que estamos.

fui ver o link. mas já não há blog.. parece que a carapuça serviu a alguém.

Gosto do blog.

Mnemósine disse...

Sofia,obrigada.
A Luna apagou o post depois de a plagiadora ter admitido e pedido desculpa em sede própria. Se a plagiada considerou suficiente,respeito isso e nao actualizo o link mesmo sabendo que nao funciona.
Em todo o caso,o blog para que o link remetia e que andava a ser plagiado era Cronicas das Horas Perdidas.