21 junho 2010

Com todo o respeito pela família,

Passamos a vida toda a ser contrariados.
Queremos brincar e é hora de ir para a cama. Queremos ficar na cama e é hora de ir para a escola. Queremos sair e ir ter com os amigos mas há ainda muito trabalho que tem de ficar feito. Queremos namorar mas não somos correspondidos. Queremos estar sozinhos mas somos necessários à existência alheia. Queremos companhia mas todos estão demasiado ocupados para notar.
O sentido de ter "últimas vontades", ainda que expressas muito antes de se tornarem definitivas e inalteráveis, é por uma vez que seja termos tudo como queremos, mesmo que não possamos (conforme as crenças de cada um) aproveitar esse raro momento. 
Contrariar alguém não é sinal de desrespeito, discordar de alguém é menos ainda. MAS Passamos uma vida a defender e a lutar pelos nossos pontos de vista e opiniões (pelo menos aqueles de nós que usufruem de coerência), vivemos segundo padrões que definimos para nós e para aqueles que de nós dependeram (vulgo filhos, netos e similares) e agonia-nos a ideia de a idade nos levar a perder o que somos e aquilo que durante anos construímos: a nossa essência. 
ENTÃO
Porquê chamar homenagem a uma cerimónia religiosa se o homenageado é alguém que sempre (?) se apresentou como ateu? Como chamar homenagem se a instrução é clara, quero ser dividido, e ainda assim é ignorada? Não é do escritor que falo, não é do político, não é da figura pública. Falo de um homem, a quem fizeram isto. 
Espero que quando eu me for alguém me tenha mais apreço.

2 comentários:

Mi disse...

Houve alguma cerimónia religiosa?! Não me apercebi disso...
E quanto à divisão das cinzas, dizem que ele mudou de ideias agora nos últimos tempos de vida.
kiss

Mnemósine disse...

Olá Mi,
pois é, li hoje no DN que ele afinal mudou de ideias e expressou uma vontade bem diferente daquela que durante estes dias ouvi vezes sem conta na tv. Tudo bem, nesse caso, desde que a cumpram - o que parece estar mesmo para acontecer.
Quanto a cerimónia religiosa, não me refiro a missa mas sim a aos procedimentos que me soam demasiado a ecos histórico-catolicistas que não tenho a certeza se não iriam contra toda aquela crítica que o JS fazia à igreja (e que certamente lhe exigiu uma pesquisa mais ou menos aprofundada pelo que saberia bem distinguir o que são honras de Estado do que é raiz católica).
bjo