11 maio 2010

O Papa, por pontos

1. Não tenho nada contra o senhor, à excepção do facto de ter escondido centenas de casos de pedofilia e de, pessoalmente, achar que isso devia ter dado cadeia. 
2. Acho que devemos recebê-lo e mesmo facilitar-lhe a vida, colaborando, uma vez que há interesse de uma boa parte do povo deste país em ver e ouvir o senhor. 
3. Percebo que ele queira cá vir, ou melhor, ir a Fátima aproveitando para uma boa acção de marketing passando pelas duas principais cidades do país.
4. Não obstante o facto de a nossa cultura, por força do passado em que a fé Cristã foi imposta também no nosso território,  estar imbuída de valores católico-cristãos, entendo que o Estado não deve incluir-se na visita senão para prestar auxílio através das forças de segurança (que já é despesa) e da cedência dos espaços (e apenas a cedência). Se o Estado se define como laico é assim que deve comportar-se. 
5. Se o nosso PR quer estar com o Papa deve mexer os seus cordelinhos mas não deve encontrar o senhor a título oficial, muito menos obrigar o homem a ouvi-lo discursar.
6. Nenhum órgão do Estado deve pagar nem um cêntimo para uma visita deste género. Isso inclui borlas que se queiram dar. Não se dão.
7. Devem dar-se autorizações, isso sim. Para retirar caixotes das vias públicas, por exemplo. Mas quem paga são eles.
8. Não se dá tolerância de ponto. Isso é alimentar esta tradição, que já não faz sentido para quase ninguém, de termos feriados conforme os santos católicos. 
9. A comunicação social, dita livre, deve fazer o que bem lhe apetecer. Se achar que a vinda do Papa é mais importante que a subida de impostos que está estrategicamente a ser preparada nesta altura, pois então deve dar destaque a isso mesmo. 
10. Ter tudo condicionado é uma chatice mas é tanto como se fossem os U2 a vir cá.
11. Tiveram uma grande lata em pedir dinheiro para já nem sei o quê mas "quem não chora não mama" portanto fizeram eles muito bem. Tem de partir de quem gere o país ver que isso não faz sentido nenhum e cortar logo com isso.

E escrevo isto porque há católicos ofendidos connosco, os ofendidos com a situação.

11 comentários:

Filipa disse...

só de referir que para além de chefe da igreja, é um chefe de estado também...se acho mal o dinheiro que se gastou e todo o show que se faz, acho muito mal e sou catolica praticante...mas de referir que também acho mal todo o dinheiro que se gastou com o "euro2004" por exemplo...Ou seja, fico indegnada com tudo aquilo que se gasta mal, incluindo alguns exageros da Igreja...Mas o que ofende é k se for para um grande evento de desporto ninguém diz nada, toda a gente aplaude... Mas também nao quero ofender ninguém e cada um pensa como quer!

Este Blogue precisa de um nome disse...

Eu sou Católica Praticante e não me sinto ofendida com nada do que disseste ;)

alphamike. disse...

eu não sou católica e, apesar de achar conveniente a tolerância de ponto, acho que é uma parvoíce pegada tanto alarido porque o papa cá vem.
ainda se fosse O Kurt Cobain renascido dos mortos... que raio vai o homem (papa) dizer que não se saiba já?
Já para não falar que se não fosse a cabo, ficava todo o dia a ver o papa igual em todos os canais.

Zélia disse...

O homem tem cara de boneco assassino, aqueles olhos escuros não enganam ninguem...


Psyco!

Madame Butterfly disse...

Eu não retiraria uma letra ao que disseste. Subscrevo inteiramente, pode ser?

E, cara "Filipa": em Portugal(estado laico há muitos anos), o chefe de estado não se confunde com o chefe da igreja. Só para clarificar.

Mnemósine disse...

Também acho que se gastou indevidamente no Euro 2004 mas esse evento trouxe imenso turismo ao país, na altura e depois por causa da exposição dada. É claro que falamos de valores bastante diferentes mas ainda assim houve algum retorno.

Fuschia disse...

Eu também acho que gastámos que nem novos ricos, no Euro 2004. E não sou católica, entendo que se queira festejar quando vem o papa e eu não tenho nada a ver com isso, mas devia ser com dinheiro dos católicos, já que a festa é deles. Não me faz sentido nenhum, que a Igreja tenha sequer lata para pedir dinheiro para o altar, ou outra coisa qualquer. A religião não se pode misturar com o Estado. E para mim, isto é o pior de tudo, é continuar a haver esta mistura, que me remete para tempos passados.

Miss Kin disse...

Quando Sua Santidade o Dalai Lama, esteve cá, nem recebido foi por ninguém, não fecharam estradas e eu ainda tive que pagar para ouvir uma palestra com o senhor. Se temos um estado laico, o tratamento ou seria igual, para um lado e não havia exageros para ninguém, ou então há para todos.
Tudo bem que o Papa é também chefe de estado do Vaticano, mas mesmo quando os outros chefes de estado vêm cá, não se gasta metade do que se gastou (e não se ganhou), nestes dias!

Mi disse...

Ia dizer o que a Filipa já disse. Que Bento XVI para além de papa é chefe de estado, portanto é normal o PR o receber a título oficial.
Mas também acho um absurdo o dinheiro que se gasta com isto, e a atitude da comunicação social, que parece que não vê outra coisa.
Eu devo ser bruxa, no início da semana fiz um post no blog a dizer que esta ia ser uma óptima semana para o Sócrates nos lixar a vida, porque só se ia falar do papa e do Benfica.
kiss

Mnemósine disse...

Mi ele é chefe do Estado do Vaticano mas não existem relações politicas entre os dois países que justifiquem este alarido político. E não foi como um "simples" chefe de estado que o Cavaco o recebeu.
Pois, o Sócrates é que nos papou, no meio disto tudo.

Miss Kin, excelente exemplo..pagar e meter dias de férias. Eu vi-o no Porto.

Carlos Rangel disse...

Tens toda a razão!