01 junho 2009

Se não há, não interessa nada

Aqui está mais uma coisinha que não percebo: acontece uma coisa má (um avião que se perde, uma gripe que se espalha, um hotel cheio de reféns, qualquer coisa) e o que mais preocupa os jornalistas é saber se há tugas no meio da malta.
É claro que as várias autoridades têm que saber se lá temos alguém para agirem (ou não), mas os jornalistas parecem dar mais ou menos importância aos temas conforme haja lá gente "nossa". Eu acho mal.

8 comentários:

S* disse...

Em jornalismo isso chama-se "proximidade". Está provado por A + B que as pessoas se emocionam muito mais se estiverem portugueses envolvidos na tragedia. Sentimo-nos mais proximos do acontecimento.

Mnemósine disse...

Mas isso justifica que as histórias deixem de ter importância? É que às vezes só falta ouvir "não se preocupem que são 100 pessoas mas nenhuma é portuguesa".
Essa explicação faz todo o sentido, obviamente, mas o tratamento/uso é que me faz "espécie".

S* disse...

Claro que nao justifica. Mas inconscientemente todos nos ficamos mais interessados quando se fala em tugas vitimas.

PQ disse...

Tugas vitimas somos 10 milhões e ninguém liga pevide.

Kitty Fane disse...

Eu escrevi o meu post depois de ouvir um jornalista na sic notícias a dizer: boas notícias - não há portugueses a bordo. Plo amor de Deus. Isto não se admite. Se morrem duzentas e tal pessoas que boas notícias se podem tirar dali.

b.vilão disse...

A S. roubou-me o discurso. Proximidade é um elemento de validação noticiosa. Se está bem ou mal... Ou minha cara... O que é certo é que a notícia tem mais impacto e mais interesse se tiver proximidade. (vá, os advogados são piores que os jornalistas... não atirai pedras)

Mnemósine disse...

Kitty Fane, eu percebi e concordo com o que escreveste!
S* e b.vilão, é como diz a Kitty Fane, portugueses ou não, foram 200 e tal pessoas que morreram e se por um lado queremos saber saber se seremos directamente afectados (queremos sempre) o facto de não sermos não deve implicar que a noticia tenha um lado bom ou que seja menos importante.
Ah, e não estou a atirar pedras =P muito menos a uma classe que considero imprescindível. E também não acho que a proximidade seja dispensável, atenção, apenas não acho que deva ser factor de exclusão em casos como este.

Kitty Fane disse...

Vim cá só para dizer que não houve mal entendido nenhum. :-)