20 março 2009

Este é o post de ontem

(porque ontem não deu)
O dia do pai (assim como outros) é dia de nos lembrarmos daquilo que vivemos, aprendemos e nos tornámos, ao longo dos anos, com o nosso pai.
Na verdade não é só a 19 de Março já que somos bombardeados com publicidade ao dia por um período longo, e por isso tenho-me lembrado de várias coisas. Não vos vou contar todas, não só porque algumas pouco interessam também porque outras são longas histórias.
  • Lembro-me de ir passar fins-de-semana alternados a casa do meu pai. Era uma seca, eu ou um bibelot seria o mesmo.
  • Lembro-me que a partir dos 10 anos comecei a ir sozinha de autocarro desde a minha casa até perto do trabalho dele porque ele não estava para me ir buscar. Demorava quase 1h a chegar por causa do trânsito.
  • Lembro-me que nunca soube o nome dos meus amigos, da minha escola ou do meu curso.
  • Lembro-me das férias obrigatórias com ele, 15 dias em que devorava livros porque era a unica coisa que tinha para (podia) fazer, 15 dias em que me sentia quase criminosa por querer telefonar à minha mãe todos os dias, 15 dias em que ninguém apreciava a companhia.
  • Lembro-me de um Natal em que não pude, mais uma vez, sair de Lisboa com a minha mãe porque um dos dias tinha obrigatoriamente que ser passado com o meu pai. Deprimente, nem árvore de Natal, nem espírito de Natal, jantar insípido e televisão a noite toda. Na manhã seguinte chovia tanto que nem com o limpa-pára-brisas no máximo se via um palmo à frente do carro. Ainda assim, ele foi levar-me de carro até à paragem do autocarro mais próxima (o directo para a minha casa) e a minha mãe foi-me lá buscar, de autocarro.
  • Lembro-me de a minha mãe começar em Junho a pensar em Setembro, altura em que se compram os livros para a escola e o restante material. Lembro-me da única coisa para a escola que o pai me comprou, foi uma mochila, foi presente de Natal e custou 7 contos. No aniversário seguinte (Janeiro) não tive presente porque o de Natal tinha sido caríssimo. Ri-me. Ouvi isto várias vezes.
  • Lembro-me que a pensão de alimentos era inferior ao que eu gastava em almoços na cantina da escola, em passe e em despesas "livres", nada de especial. Lembro-me que ainda antes de fazer 18 anos ele deixou de pagar esta fortuna. Para quem não sabe, 18 anos é o mínimo mas o normal é pagar até que o filho deixe de estudar. Até hoje ele continua a dizer que cumpre e cumpriu as suas obrigações.
  • Também me lembro do único estalo que levei na minha vida. Foi ele que mo deu. Tinha 5 anos e queria vestir-me sozinha, como em casa da minha mãe. Foi bem forte, perdi o equilíbrio e nunca me esqueci.

Imaginem vocês que me esqueci mais uma vez de lhe ligar ontem.

Felizmente tenho uma mãe do caraças e isto já só me dá para rir.
Exponho estes episódios aqui à laia de desabafo mas também para alertar os novos pais que me leiam para que não sejam esta porcaria de gente. A todos os que não o são, espero que sejam reconhecidos por isso. Sejam felizes, que eu também!

14 comentários:

SCM disse...

Compreendo-a muito bem. Durante dez anos não soube se o meu pai estava vivo ou morto, no Brasil, na Escandinávia ou na China. Pensão de Alimentos? Nem um tostão...
Pelo que ontem, liguei à minha mãe e disse-lhe: "por teres sido mãe, pai e muito mais, feliz dia do pai!".

GATA disse...

Ao contrário de ti, eu tive um pai 5 ESTRELAS! Infelizmente (porque a vida por vezes é uma m***a!) há 8 anos perdi o meu pai...

miúda gira disse...

Eu, para não ferir susceptibilidades nem publiquei o meu post do dia do pai. Consola-me saber que a idade o melhorou e hoje talvez se pudesse voltar atrás se comportaria de outra forma.Mas há coisas que uma vez feitas já não têm volta a dar...
É pena nem todos pudermos dizer que temos o melhor pai do mundo. Enfim, temos a melhor mãe! Beijinhos

Sem Jeito disse...

custa-me mt entender este tipo de atitudes, mas pronto...
ainda bem que tiveste uma mae espectacular!!!
bjs

Anónimo disse...

As lágrimas estavam a querer cair. Foi muito intenso e por isso deixo-te aqui um grandeeeeeeeeeeeeeee
beijinho
Patrícia

PQ disse...

Eu tentei mas não sei bem o que escrever. Todos temos histórias de encontros e desencontros, histórias que começam e acabam, mas os filhos são o nosso passaporte para a eternidade. É através deles que nos mantemos 'vivos' já depois de termos regressado à natureza quando o cérebro nos morre. Deixamos os nossos genes para a eternidade e deixamos os nossos valores vivos nos valores que lhes transmitimos.

fuschia disse...

Há pais e pais e ironicamente o Fritzl conheceu a sua sentença no dia do Pai, coisa que nunca foi. É por haver o mau, que nos devemos sentir felizes por tudo o que de bom temos na vida. Deixa lá o pai de merda, tiveste uma mãe que compensou tudo isso!

Leididi disse...

Beijinhos minha querida.

Saltos Altos Vermelhos disse...

realmente pais ou mães não o são só por ser, têm de o merecer também!

Carlos Rangel disse...

Ui, como eu te compreendo. Só quem viveu uma situação semelhante pode compreender certo tipo de sentimentos ou atitudes.

Um grande beijinho!

kuka disse...

hello.bem não te compreendo,porque aqui deste lado o que aconteceu foi que houve um fugitivo que apareceu 21 anos mais tarde para reconhecer,mas aí o caldo entornou.não sei se melhor ter fugido do que passar o que passaste.beijinho

_+*A Elite in Paris*+_ disse...

Quis varias vezes dizer "eu tambem", "eu também", mas se eu tive um pai frio, a minha mae não era mais calorosa. Hoje aprendi a aprecia-los.

:))

Beijo meu ♥,

A Elite

Cat disse...

Costumo acompanhar o teu blog, mas nunca comentei (acho eu que nunca...) mas desta vez não resisti a deixar-te um beijinho, só porque sim, porque depois de ler este post, sinto que, pelo menos este ano, hoje é o dia da Mnemósine, porque mereces por seres mais tu e seres feliz (e já agora, pelos momentos de boa disposição que proporcionas com os teus posts ;))

Bjn,Cat*

Miss Glitering disse...

Gosto mesmo de ti.

*