21 fevereiro 2009

Quando as coisas se conjugam

Acabei de chegar a casa depois de ver o Vicky Cristina Barcelona de Woody Allen (sim, só agora), como de costume vim ver os blogues habituais e li o post de Miss K. (Life Is A Masterpiece) que aqui transcrevo:
"Partir é mais fácil do que se pensa. Difícil é decidir o que se leva connosco."
Depois de umas horas de conversa com uma amiga em que alguns dos temas foram ex-colegas, ex-namorados e "get out of my life"'s, esta frase caiu-me de uma forma bastante engraçada.
Penso que já aqui referi que morei uns meses em Barcelona (nesse sentido esperava que o filme fosse mais "transportador" no tempo do que foi) e neste momento o que a frase de Miss K. me lembrou foi dos 40 kg de bagagem que levei para BCN. Acreditem que não costumo levar muita bagagem para lado nenhum por isso este foi mesmo um grande exagero.
Na altura não sabia bem ao que ia, queria era ir e depois logo se via. E então fui e, na duvida, levei tudo o que poderia precisar - e não estou a falar só de roupa, levei um cobertor que foi bastante útil, imensos livros mas ainda assim em numero insuficiente, um telemóvel extra e para o caso de não conseguir encontrar os meus produtos habituais, levei-os de cá (dah). Então, literalmente, não sabia o que levar. Alguém me devia ter dito "deixa-te de merdas". Acrescento que foi um filme fazer chegar duas malas maiores que eu, de 20kg cada, do aeroporto até ao apartamento onde ia passar aquela temporada, de transportes públicos.
Depois, na sequência da conversa sobre aqueles assuntos, aquela mesma frase transportou-me directamente para o universo do fim das relações amorosas quando podemos, na minha opinião, escolher o que queremos guardar delas e depois trabalhar para esse objectivo. Podemos escolher guardar o melhor ou o pior ou um pouco dos dois. Geralmente opto pelo misto mas parece-me que não sou muito competente para o fazer.
Da minha primeira relação "séria" (tinha 14 ou 15 anos) guardo apenas coisas boas e a memória da razão que me levou a pôr um ponto final e consequente reacção dele. Penso que terá sido por ser a primeira.
De outras, mais sérias ou apenas passageiras, não fui capaz de dividir as memórias em 50boas/50más. De uma especialmente não me ficou nada de bom e já fiz a triste figura de o ver no metro e mudar de carruagem para não ter de lhe falar. De outra, aquela de que falei há uns posts atrás, guardei sobretudo memórias dos últimos meses e embora haja boas memórias a maioria é triste e mesquinha (de parte a parte, disso não me esqueço), mas pelo menos com estas sei que aprendi muita coisa.
Eu tenho realmente facilidade em partir, talvez seja fria nestas fases (?), mas a escolha das memórias a reter é sempre um processo que me leva tempo. Felizmente multitasking é comigo.
Tenho saudades de Barcelona.

(Obrigada Miss K.)

3 comentários:

Luna disse...

é uma frase sábia... e aplica-se bem... a muita coisa!!
bj

_+*A Elite in Paris*+_ disse...

Acho que ja tive tantas vezes de mudar de casa e terminar relacoes que nao sei o que é levar "bagagem" comigo. Consigo esquecer as coisas com uma facilidade assustadora, como se não fosse agarrada a nada. Mas acho que é isso que acontece quando somos obrigados a ser sozinhos desde os 14 anos...

Beijo meu ♥,

A Elite

Mnemósine disse...

Pois é, Elite, costuma dizer-se que somos o que a vida faz de nós. (embora também se diga que a vida é o que fazemos dela... há ditos para todos os gostos)